A concepção sobre o aluno do campo precisa ser revista.


*Robélia Aragão da Costa

O tempo passa, os conceitos mudam, as oportunidades são ampliadas… Isso também acontece na educação, em especial, na zona rural.

O contexto dos alunos que residem no campo tem sido transformado por conta dos programas sociais, da inserção da tecnologia no campo, para isso, basta observarmos como a atena parabólica se faz presente até nas casas mais humildes. As imagens, os textos atuais invadem o cotidiano das famílias, passando a ter acesso, bem como as famílias urbanas,  a uma nova linguagem oral e corporal, aos valores distintos que podem conduzir para caminhos promissores ou não.

A partir daí, as escolas também tem que ampliar as suas visões, uma vez que a  imagem cristalizada do aluno caipira, que não sabe falar, não sabe se vestir… está sendo questionada. Todavia, não quero dizer com isso que há  oportunidades inesgotáveis para estes alunos, pois ainda faltam lazer, espaços culturais e perspectivas de vida. Faltam a ampliação de políticas públicas intersetorias para atender a esta clientela.

A vida no campo nem sempre é fácil, pois está sempre atrelada ao clima, a estação, ao tempo. A sobrevivência depende exclusivamente do meio ambiente, da época. Familiares com poucas condições financeiras, com pouca formação acadêmica e orientações para melhor sobreviver as dificuldades inerentes a vida do campo, terminam elegendo a educação como um elemento essencial para a ressignificação da vida dos seus filhos.

Apesar desta realidade e discurso vinculado no âmbito da educação de que a família está ausente, considero as pessoas do campo como aquelas que mais participam da escola, como aquelas que mais valorizam os profissionais do magistério… Falta a escola, ainda, perceber a relevância destas famílias, a defender a idéia de que estas  devem receber o melhor por meio dos seus filhos matriculados.

Percebo que no fundo, muitos dos profissisnais do magistério temem os familiares das escolas privadas;  eles pagam, possuem mais conhecimentos e exigem resultados. Inclusive eles integram este grupo.  Enquanto isso, permanecem concebendo os familiares da rede pública como distantes, como não sendo pessoas comprometidas com seus filhos, com suas crianças e adolescentes. Teimam em defender a idéia de que os alunos do campo possui dificuldades de aprendizagem, que as propostas de atividades a serem trabalhadas devem ser fáceis, devem ser reduzido a textos simples e curtos. Resumindo, alunos fragilizados, incapazes de aprender e elaborar conhecimentos mais complexos, é assim que muitos se posicionam.

Os discursos podem até ser diferentes do exposto, mas as práticas confirmam. Isso é angustiante!Inegavelmente, os alunos de zona rural tem grande dificuldade em conquistar um carreira de sucesso devido suas dificuldades em transporte, por falta de recursos e oportunidades concretas; muitos dos pais são analfabetos, ou semianalfabetos, dentre outros fatores, mas sonham com m futuro melhor para seus filhos! Iste não pode ser ignorado! Portanto, o primeiro passo á mudar a crença, só mudamos a realidade que acreditamos nesta possibilidade.

O que faz a educação? A escola pública? A democratização das escolas ocorreram e estão ocorrendo, entretanto, ainda não há a inclusão.  Precisamos urgentemente refletir sobre as seguintes questões: Será isso que atraimos os familiares para as escolas? Será que falamos a sua língua? Será que o curriculo adotado estabelece um link com a realidade do entorno da escola? Será que respeitamos as potencialidades dos nossos alunos? Ou será que não estamos ampliando as nossas competências para lidar com o aluno do campo?

Temos muito a aprender, a explorar… mas acima de tudo, temos que desmistificar a idéia de que nossos alunos do campo não são capazes de aprender e de se tornar um cidadão de sucesso. Quando passarmos a acreditar nisto, a educação pública melhorará os indíces e cumprirá seu papel principal: formar seres humanos integral, independentemente da situação social.

*Professora e Coordenadora Pedagógica

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