A produção de texto pelas crianças


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No processo de alfabetização e letramento, as crianças tem contato com a escrita funcional no ambiente escolar. Precisam ter uma sequência de contato, de modo que vivenciem experiências pedagógicas significativas. As atividades de produção de um texto, sob a mediação de um(a) professor(a), podem envolver conhecimentos sobre o formato, conteúdo, apresentação e tipo de letra . Características  textuais que devem ser exploradas numa sequência didátic,  na qual as crianças usem diferentes procedimentos próprios ao ato de escrever. As escolas precisam estar preparadas para esta ação de leitura, envolvendo os professores, disponibilizando acervos de leitura e organizando o espaço pedagogicamente. (Robélia Aragão)

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Alunos dos anos finais do ensino fundamental precisam ser alfabetizados


Na educação brasileira percebemos o quanto precisamos validar ações educacionais positivas,  quando nos deparamos com  a descrença no ensino público, esta é uma porta aberta em direção ao fracasso da educação, dos nossos alunos.

Os nossos alunos estão chegando aos anos finais do ensino fundamental, especialmente,  a 5ª série – regime seriado de 08 anos do ensino fundamental – equivalente  ao 6º ano – regime de 09 anos do ensino fundamental –  sem saber ler e escrever, sendo diagnósticado que os mesmos não conseguiram desenvolver a habilidade de produzir um texto, apreciar ou criticar em sua trajetória estudantil. Ou seja, não foram desenvolvidas as capacidades de compreensão, interpretação, crítica e produção de conhecimentos de forma contextualizada e desafiadora.

Muitos destes alunos não sabem argumentar, articular as idéias e posicionar-se perante os seus pares e professores. Aprenderam o básico para copiar, transcever idéias e pensamentos. Sentem dificuldades para ser autores e co-autores da própria história, dos próprios textos.  

Diante disso, surgem vários questionamentos, dentre os quais podemos citar: Onde está o erro?! Qual caminho seguir para avançarem? O que já foi feito? Qual a formação dos professores? Onde está a família?

São inúmeros os questionamentos. Sabemos fazer isto muito bem, porém, ainda não aprendemos a encontrar respostas. Não aprendemos a ser profissionais  pesquisadores. Não aprendemos a lançar atos sequenciados, partindo do diagnóstico inicial. 

Ao receberem estes alunos, os professores passam a questionar a escola, o material didático, o professor do passado. Passam a procurar um culpado! Foi fulano, foi cicrano… a culpa é da família…a culpa é do aluno… Este último é o mais culpabilizado, é o ser mais frágil no contexto.

Assim, não poderemos ficar instalados no universo da culpa e do fracasso, porque normalmente os rótulos somente recaem sobre os alunos: fracos, incompetentes… Para se defender destes, alguns desistem da escola, se tornam apáticos, tímidos,  envergonhados e até agressivos.  Afinal, inseridos num mundo contemprâneo, sem saber ler e escrecer com fluência faz com que os mesmos se sintam um peixe fora d’água.

E, isso, exige uma interpretação ponderada e rigorosa sobre o processo ensino e aprendizagem, já que os alunos advém dos anos iniciais do ensino fundamental e necessitam de intervenções pedagógicas específicas. O olhar deve se voltar para o aluno, seu histórico acadêmico, seu desenvolvimento integral, sua família…  Para tanto, a sensibilidade do professor atual deve ser aflorada. Caso contrário, não avançará na sequência didática pensada nem tampouco possibilitará que os alunos aprendam .

 Ei-lo o maior desafio: fazer com que estes alunos aprendam, ou seja, alfabetizar estes alunos nos anos finais do ensino fundamental.  Muitos dos profissionais não sabem como fazer isto, uma vez que nos anos finais  do ensino fundamental, atuam diversos professores em uma única turma.  e, não há formação de professor específica para esta situação.

Encontrando-se na Adolescência,  fase do desenvolvimento humano que marca a transição entre a infância e a idade adulta, os profissionais da escola, terminam lidando com alunos cujas caracteristicas individuais estão sujeitas  a alterações em diversos níveis – físico, mental e social.

Pegando como parâmetro situações correlatas evidenciadas nos anos iniciais, tornam-se pertinentes adaptações de estrtaégias em aplicações de atividades sequenciais e permanentes de leitura, reflexão e escrita com aportes teóricos e práticos condizentes com faixa etária em que se encontram estes alunos.

Imbuídos do espírito da transversalidade, os professores devem focar no processo de construção do conhecimento, respeitando os limites e potencialidades dos alunos. Não devem infantilizá-los por meio das atividades propostas, mas torná-lo mais ativo e crítico numa perspectiva lúdica e coerente com os interesses dos mesmos e expectativas de aprendizagem que devem ser atingidas.

Por fim, aqueles que vivenciam experiência de sucesso, em situações parecidas com as expostas, devem compartilhá-las para que possamos fazer renascer a crença na educação pública brasileira, que apesar de possui pontos negativos, apresenta avanções nas concepções e estratégias. Basta que saibamos validar os últimos, refletindo sobre como podemos fazer para sairmos do estado vegetativo da negativide.

O processo de aprendizagem não estaciona, precisa de continuidade. Logo, que estabelecemos uma rede de apoio entre as etapas da educação básica, tendo como objetivo principal a constituição de conhecimentos por parte de nossos alunos. Vamos fazer valer o processo de alfabetização das crianças no ciclo da infância, pois somente desta maneira teremos alunos nos anos finais do ensino fundamental com suas competências plenamente desenvolvidas.

 

Robélia Aragão

Professora e Coordenadora Pedagógica