A Educaçao precisa de lantejoulas e sedas


*Robélia Aragão

Ufa! Como faltam brilho e alegria na educação!

Nestes últimos dias tenho ficado precocupada com a falta de alegria e brilho na educação, principalmente no que se refere a relação entre aluno e professor. Esta trata da perspectiva pedagógica, onde o processo de aprendizagem e desenvolvimento dos alunos devem ser efetivados.

Sabemos que as crianças para aprender precisam de orientação pedagógica atrelada a ludicidade, observando o cotidiano educacional, não estou percebendo isto. As relações estão muito secas, as crianças estão sendo tratadas como pequenos adultos. Alguns professores estão agindo com certa distância das crianças.

Um fato ocorrido recentemente, me fez parar e escrever este texto,  ouvi  argumentos de um professores que me chocou, este falou que estava em sala de aula regendo para crianças de nove anos, estas não  estavam, segundo eles, prestando a atenção a sua explicação, diante disso, falou para as crianças que ali estava apenas para desenvolver o seu trabalho, quem quisesse aprender que assim o fizesse, quem não quisesse, ele não daria a mínima atenção, uma vez que no final do mês receberia o seu salário.

Não parei de pensar nesta situação! Sei que a exigência pela profissionalização do professor vem ocorrendo cada vez mais, alguns defendem que não são tios, amigos, são apenas professores. Todavia, este profissionais não devem esquecer que o seu objeto de trabalho são crianças, são seres humanos históricos com sentimentos e potencialidades.

Sei que muitas crainças vêem o professor como uma figura ímpar, aquela que admira, que elege como herói. Querem ser igual ao professor, se espelham nas ações, nas atitudes… o que configura na prosaica categoria de professor. E o que posso dizer depois de refletir é que estou impressionada.  De repente, todas as minhas lembranças da época em fui criança e estudava nos anos iniciais com professoras, com formação mínima, porém muitos carinhosas, começaram a fazer total sentido. Ao do carinho e rigor,  principalmente. Estou assustadoramente sentindo falta de situação igual a esta no atual contexto educacional.

Brincavámos, pulavámos… ainda que numa perspectiva um tanto arcaica considerando as perspectivas atuais. Atualmente, o fazer pedagógico do professor está muito mecânico, frio, direto… alguns não inserem, em sua rotina diária, a hora do conto, o momento da música,  o jogo… apenas lousa, giz e cuspe. Não há alegria e encanto  no ato de ensinar de alguns professores.

O que vemos?  Crianças sentadas enfileiradas, proibidas de levantar, copiando da lousa… discurso atual, porém prática muita ultrapassada. Aulas tediantes para os pequenos, pois são cheios de energia  e necessitados de projetos e atividades ocasionais, permanentes e sequenciados, que explorem todas as potencialidades das crianças – cognitiva, psicológica, afetiva etc.. Além disso, elas precisam de cuidado, carinho e atenção.

Em conversa com uma colega, pontuei que esta observação e esta angústia me impulsionaram a refletir e analisar os constantes problemas dos alunos matriculados nos anos inicais do ensino fundamental, dentre os quais, a agressividade, baixa auto-estima, desmotivação  para aprender e, consequentemente, um baixo  rendimento escolar em comparação com  o padrão desejado.

Ah! Penso que se conseguíssemos levar para a sala de aula atividades impregnadas pelo brilho e pela paixão de aprender a aprender, nas quais em conjunto  combatêssemos os sentimentos negativo e tirassemos do poço da angústia aqueles alunos que não percebem o amor em suas vidas, atingiríamos o sucesso.

Respirei fundo…

Primeiro o professor precisa investir em você, no amor. Somente deste modo poderá compartilhá-lo com os outros.

Pensei, pensei…

Temos professores  desolados, tristes… que precisam ser estimulados e orientados. Temos pessoas carentes, algumas  evitam até os colegas, isolando-se ou sendo rejeitadas por eles.

Quem estimulará estes colegas? Direção e coordenação, juntas, devem procurar tecer novas ações que articulem a afetividade e racionalidade em defesa do resgate da criatividade, autonomia e responsabilidade.

É uma pena que muitos dos  encontros pedagógicos também não estão lhes instigando, promovendo uma formação pautada na reciprocidade, cooperação, igualdade e amor, tendo em vista um planejamento de ações voltadas para a infância e suas peculiaridades.

Jesus! Quantos desafios?! Precisamos nos reencantar para encantar o outro. Os momentos referendados também deve haver brilho e alegria. O desarmamento dos sujeitos envolvidos devem ocorrer, alguém tem que começar a baixar a guarda.

Eu, prestes a terminar este texto, nem sei exatamente o que fazer, o que falar… apenas fiz algumas explanações, as quais considero pertinente. Tenho que pensar na qualidade da  educação, sobrevivo através dela. Devo pensar nas crianças, sem elas não teríamos escolas funcionando.  Devo pensar em mim, também posso ter surtos de desencantos. E mais que falar da educação, estou aqui desafiando as minhas limitações e expondo que acreditar no papel do professor – humano – e do aluno –  humano – é uma interessante etapa da minha evolução.

Tá bom… deixa eu procurar lantejoulas e o tecido de seda para encrementar a minha roupa com um belo bordado, afinal preciso encantar o meu marido.

*Professora e Coordenadora Pedagógica