Refletindo…Edgar Morin


Num cenário brasileiro em que vivemos, tão cheio de pessoas carregadas de desilusões e desumanizações, nos instiga a ter dois posicionamentos: desânimo ou revitalização. Logo, me lembrei de Edgar Morin, em seu artigo Uma mundialização plural: 

“É possível, portanto, manter a esperança na desesperança. Acrescentemos a isso o apelo à vontade em face da grandeza do desafio. Embora quase ninguém ainda tenha consciência, nunca houve uma causa tão grande, tão nobre, tão necessária quanto a humanidade para, ao mesmo tempo e inseparavelmente, sobreviver, viver e humanizar-se. “

O Pacto pela Educação na Bahia


Entenda o Educar para Transformar, uma rede de parcerias em prol da Educação

– O QUE É O PACTO? 
É a construção de uma rede de parcerias para melhorar a educação na Bahia.
– METAS
. Todas as crianças alfabetizadas até oito anos de idade.
. Todas as crianças e todos os jovens na escola, com desempenho adequado à sua série e com sucesso na trajetória escolar.
– QUEM PARTICIPA
Prefeitos, educadores, estudantes, gestores e servidores, além de instituições públicas e privadas, universidades, empresas, organizações sociais, e principalmente, as famílias.
– EIXOS ESTRUTURANTES
I – Colaboração entre Estado e Municípios
II – Fortalecimento da Educação Básica na Rede Estadual
III – Educação Profissional
IV – Parceiros da Escola (universidades, empresas e outras organizações sociais)
V – Integração Família-Escola.
Diante do exposto, não poderia deixar de pontuar que vivemos a era dos “Pactos”, esperamos que estes sejam respeitados pelos os assinantes, pois desta forma a nossa educação poderá melhorar. Caso contrário será mais uma ação no papel! Esforços devem ser eivados para a validação da proposta, bem como, o monitoramento da ação em cada ente federado baiano. A iniciativa, lançada pelo Governo da Bahia/SEC,  é interessante pois o ato sugere a pactuação com a sociedade para a melhoria da educação. Sob esta premissa deve ser percebida! Agora, cabe a execução das ações! Vamos lá SEC/Municípios validar a nossa educação!
Fonte: http://institucional.educacao.ba.gov.br/noticias/entenda-o-educar-para-transformar-uma-rede-de-parcerias-em-prol-da-educacao

Em defesa da educação pública


A educação pública somente alavancará quando, de fato, o espírito democrático gradativamente adentrar às escolas, transformando visões unilaterais em multilaterais, atuando não somente no que concerne o pedagógico mas também no que tange a gestão dos recursos financeiros públicos. Afinal, a dimensão pedagógica somente será eivada de sentido quando contextualizada e assegurada mediante recursos que a instrumentalize.  (Robélia Aragão)

Orientações pedagógicas para trabalhar o Documentário Quilombolas da Bahia


Apresentação:

As orientações abaixo são tentativas que visam estimular os professores a utilizarem os recursos de mídias extistentes na escola atrelada a necessidade de trabalhar a cultura africana/negra no currículo escolar. Esta sugestão de atividade pode ser desenvolvida, preferencialmente, em turma do Ensino Médio. A temática é de natureza transversal.

Robélia Aragão

Professora/Coordenadora

QUILOMBOLAS DA BAHIA: GOVERNO DA BAHIA/SECRETÁRIA DE EDUCAÇÃO/PORTFOLIUM.

  • Primeiramente, o professor deve assistir ao documentário.
  • O professor deve preparar a sala para a exibição do documentário e outras recursos necessários.Exibição coletiva do Documentário: Quilombols da Bahia.
  • Expor aos alunos: Direção, roteiro, fotografia e câmera, som, produção executiva, produção administrativa, pesquisa de campo e fotografia de still, assistente e montagem.
  • Os alunos deverão ter acesso aos seguintes questionamentos e encaminhamentos:
  1. Qual o conceito de Quilombos?
  2. Estabaleça uma relação entre os Quilombolas e o Estado da Bahia.
  3. Por que a Bahia é considerada uma comunidade essencialmente negra?
  4. Como podemos contribuir para valorizar a memória negra na Bahia?
  • Cada item será distribuido para um grupo, o qual terá que fazer uma exposição crítica para os demais componentes da turma.
  • O professor deverá fazer a mediação da discussão.
  • O professor deverá expor as características de um documentário.
  • A turma deverá produzir um pequeno documentário a respeito dos negros que residem no município em que vive.

Alunos dos anos finais do ensino fundamental precisam ser alfabetizados


Na educação brasileira percebemos o quanto precisamos validar ações educacionais positivas,  quando nos deparamos com  a descrença no ensino público, esta é uma porta aberta em direção ao fracasso da educação, dos nossos alunos.

Os nossos alunos estão chegando aos anos finais do ensino fundamental, especialmente,  a 5ª série – regime seriado de 08 anos do ensino fundamental – equivalente  ao 6º ano – regime de 09 anos do ensino fundamental –  sem saber ler e escrever, sendo diagnósticado que os mesmos não conseguiram desenvolver a habilidade de produzir um texto, apreciar ou criticar em sua trajetória estudantil. Ou seja, não foram desenvolvidas as capacidades de compreensão, interpretação, crítica e produção de conhecimentos de forma contextualizada e desafiadora.

Muitos destes alunos não sabem argumentar, articular as idéias e posicionar-se perante os seus pares e professores. Aprenderam o básico para copiar, transcever idéias e pensamentos. Sentem dificuldades para ser autores e co-autores da própria história, dos próprios textos.  

Diante disso, surgem vários questionamentos, dentre os quais podemos citar: Onde está o erro?! Qual caminho seguir para avançarem? O que já foi feito? Qual a formação dos professores? Onde está a família?

São inúmeros os questionamentos. Sabemos fazer isto muito bem, porém, ainda não aprendemos a encontrar respostas. Não aprendemos a ser profissionais  pesquisadores. Não aprendemos a lançar atos sequenciados, partindo do diagnóstico inicial. 

Ao receberem estes alunos, os professores passam a questionar a escola, o material didático, o professor do passado. Passam a procurar um culpado! Foi fulano, foi cicrano… a culpa é da família…a culpa é do aluno… Este último é o mais culpabilizado, é o ser mais frágil no contexto.

Assim, não poderemos ficar instalados no universo da culpa e do fracasso, porque normalmente os rótulos somente recaem sobre os alunos: fracos, incompetentes… Para se defender destes, alguns desistem da escola, se tornam apáticos, tímidos,  envergonhados e até agressivos.  Afinal, inseridos num mundo contemprâneo, sem saber ler e escrecer com fluência faz com que os mesmos se sintam um peixe fora d’água.

E, isso, exige uma interpretação ponderada e rigorosa sobre o processo ensino e aprendizagem, já que os alunos advém dos anos iniciais do ensino fundamental e necessitam de intervenções pedagógicas específicas. O olhar deve se voltar para o aluno, seu histórico acadêmico, seu desenvolvimento integral, sua família…  Para tanto, a sensibilidade do professor atual deve ser aflorada. Caso contrário, não avançará na sequência didática pensada nem tampouco possibilitará que os alunos aprendam .

 Ei-lo o maior desafio: fazer com que estes alunos aprendam, ou seja, alfabetizar estes alunos nos anos finais do ensino fundamental.  Muitos dos profissionais não sabem como fazer isto, uma vez que nos anos finais  do ensino fundamental, atuam diversos professores em uma única turma.  e, não há formação de professor específica para esta situação.

Encontrando-se na Adolescência,  fase do desenvolvimento humano que marca a transição entre a infância e a idade adulta, os profissionais da escola, terminam lidando com alunos cujas caracteristicas individuais estão sujeitas  a alterações em diversos níveis – físico, mental e social.

Pegando como parâmetro situações correlatas evidenciadas nos anos iniciais, tornam-se pertinentes adaptações de estrtaégias em aplicações de atividades sequenciais e permanentes de leitura, reflexão e escrita com aportes teóricos e práticos condizentes com faixa etária em que se encontram estes alunos.

Imbuídos do espírito da transversalidade, os professores devem focar no processo de construção do conhecimento, respeitando os limites e potencialidades dos alunos. Não devem infantilizá-los por meio das atividades propostas, mas torná-lo mais ativo e crítico numa perspectiva lúdica e coerente com os interesses dos mesmos e expectativas de aprendizagem que devem ser atingidas.

Por fim, aqueles que vivenciam experiência de sucesso, em situações parecidas com as expostas, devem compartilhá-las para que possamos fazer renascer a crença na educação pública brasileira, que apesar de possui pontos negativos, apresenta avanções nas concepções e estratégias. Basta que saibamos validar os últimos, refletindo sobre como podemos fazer para sairmos do estado vegetativo da negativide.

O processo de aprendizagem não estaciona, precisa de continuidade. Logo, que estabelecemos uma rede de apoio entre as etapas da educação básica, tendo como objetivo principal a constituição de conhecimentos por parte de nossos alunos. Vamos fazer valer o processo de alfabetização das crianças no ciclo da infância, pois somente desta maneira teremos alunos nos anos finais do ensino fundamental com suas competências plenamente desenvolvidas.

 

Robélia Aragão

Professora e Coordenadora Pedagógica

 

 

A Educaçao precisa de lantejoulas e sedas


*Robélia Aragão

Ufa! Como faltam brilho e alegria na educação!

Nestes últimos dias tenho ficado precocupada com a falta de alegria e brilho na educação, principalmente no que se refere a relação entre aluno e professor. Esta trata da perspectiva pedagógica, onde o processo de aprendizagem e desenvolvimento dos alunos devem ser efetivados.

Sabemos que as crianças para aprender precisam de orientação pedagógica atrelada a ludicidade, observando o cotidiano educacional, não estou percebendo isto. As relações estão muito secas, as crianças estão sendo tratadas como pequenos adultos. Alguns professores estão agindo com certa distância das crianças.

Um fato ocorrido recentemente, me fez parar e escrever este texto,  ouvi  argumentos de um professores que me chocou, este falou que estava em sala de aula regendo para crianças de nove anos, estas não  estavam, segundo eles, prestando a atenção a sua explicação, diante disso, falou para as crianças que ali estava apenas para desenvolver o seu trabalho, quem quisesse aprender que assim o fizesse, quem não quisesse, ele não daria a mínima atenção, uma vez que no final do mês receberia o seu salário.

Não parei de pensar nesta situação! Sei que a exigência pela profissionalização do professor vem ocorrendo cada vez mais, alguns defendem que não são tios, amigos, são apenas professores. Todavia, este profissionais não devem esquecer que o seu objeto de trabalho são crianças, são seres humanos históricos com sentimentos e potencialidades.

Sei que muitas crainças vêem o professor como uma figura ímpar, aquela que admira, que elege como herói. Querem ser igual ao professor, se espelham nas ações, nas atitudes… o que configura na prosaica categoria de professor. E o que posso dizer depois de refletir é que estou impressionada.  De repente, todas as minhas lembranças da época em fui criança e estudava nos anos iniciais com professoras, com formação mínima, porém muitos carinhosas, começaram a fazer total sentido. Ao do carinho e rigor,  principalmente. Estou assustadoramente sentindo falta de situação igual a esta no atual contexto educacional.

Brincavámos, pulavámos… ainda que numa perspectiva um tanto arcaica considerando as perspectivas atuais. Atualmente, o fazer pedagógico do professor está muito mecânico, frio, direto… alguns não inserem, em sua rotina diária, a hora do conto, o momento da música,  o jogo… apenas lousa, giz e cuspe. Não há alegria e encanto  no ato de ensinar de alguns professores.

O que vemos?  Crianças sentadas enfileiradas, proibidas de levantar, copiando da lousa… discurso atual, porém prática muita ultrapassada. Aulas tediantes para os pequenos, pois são cheios de energia  e necessitados de projetos e atividades ocasionais, permanentes e sequenciados, que explorem todas as potencialidades das crianças – cognitiva, psicológica, afetiva etc.. Além disso, elas precisam de cuidado, carinho e atenção.

Em conversa com uma colega, pontuei que esta observação e esta angústia me impulsionaram a refletir e analisar os constantes problemas dos alunos matriculados nos anos inicais do ensino fundamental, dentre os quais, a agressividade, baixa auto-estima, desmotivação  para aprender e, consequentemente, um baixo  rendimento escolar em comparação com  o padrão desejado.

Ah! Penso que se conseguíssemos levar para a sala de aula atividades impregnadas pelo brilho e pela paixão de aprender a aprender, nas quais em conjunto  combatêssemos os sentimentos negativo e tirassemos do poço da angústia aqueles alunos que não percebem o amor em suas vidas, atingiríamos o sucesso.

Respirei fundo…

Primeiro o professor precisa investir em você, no amor. Somente deste modo poderá compartilhá-lo com os outros.

Pensei, pensei…

Temos professores  desolados, tristes… que precisam ser estimulados e orientados. Temos pessoas carentes, algumas  evitam até os colegas, isolando-se ou sendo rejeitadas por eles.

Quem estimulará estes colegas? Direção e coordenação, juntas, devem procurar tecer novas ações que articulem a afetividade e racionalidade em defesa do resgate da criatividade, autonomia e responsabilidade.

É uma pena que muitos dos  encontros pedagógicos também não estão lhes instigando, promovendo uma formação pautada na reciprocidade, cooperação, igualdade e amor, tendo em vista um planejamento de ações voltadas para a infância e suas peculiaridades.

Jesus! Quantos desafios?! Precisamos nos reencantar para encantar o outro. Os momentos referendados também deve haver brilho e alegria. O desarmamento dos sujeitos envolvidos devem ocorrer, alguém tem que começar a baixar a guarda.

Eu, prestes a terminar este texto, nem sei exatamente o que fazer, o que falar… apenas fiz algumas explanações, as quais considero pertinente. Tenho que pensar na qualidade da  educação, sobrevivo através dela. Devo pensar nas crianças, sem elas não teríamos escolas funcionando.  Devo pensar em mim, também posso ter surtos de desencantos. E mais que falar da educação, estou aqui desafiando as minhas limitações e expondo que acreditar no papel do professor – humano – e do aluno –  humano – é uma interessante etapa da minha evolução.

Tá bom… deixa eu procurar lantejoulas e o tecido de seda para encrementar a minha roupa com um belo bordado, afinal preciso encantar o meu marido.

*Professora e Coordenadora Pedagógica